Alguns de meus poucos, mas queridos leitores, me deram a ideia de descrever como funciona a Fisioterapia Uroginecológica. Antes de ler sobre a especialidade em alguns blogs voltados para o tema vaginismo, eu sequer sabia da existência da mesma e digo que qualquer coisa que significasse ajuda nesta luta despertaria minha atenção.
Então acabei encontrando uma indicação aqui em Brasília, liguei e fiquei empolgadíssima ao descobrir que a médica atendia na minha região e, por incrível que pareça, poderia me atender no consultório de uma amiga, no mesmo prédio onde eu trabalho. "Ooohhh!" Ouvi aquele corinho divino quando algo legal acontece nos filmes, pensei que era muita sorte e marcamos uma avaliação.
Parece fácil, mas pra uma mulher vagínica que fugia de ginecologistas
marcar encontro com alguém que:
a. Você nunca viu antes;
b. Você sabe que vai querer te ver de perto (e por perto entenda perto MESMO);
c. Essa pessoa vai ter que tocar em áreas que nem você gosta de tocar.
Olha... eu tremi na base.
Mas a vontade de ficar curada era maior que o medo então lá fui eu.
A primeira impressão foi ótima, a Dra. Áurea não tem esse nome por acaso, ela parece um anjo de verdade, loirinha, delicada, simpática e doce. A fofura em pessoa, mas eu ainda não sabia se na hora da verdade essa fofura ia me ajudar porque, cá entre nós, não sou a pessoa mais disciplinada que existe e costumo funcionar mais na base do sacode do que do afago, mas, pra minha felicidade, ela soube ser firme.
Começamos com um bate papo, eu disse a ela tudo o que me aconteceu, porque me fechei, porque não consigo me abrir ao sexo como a maioria das pessoas normais e ela foi escutando tudo e anotando os pontos que considerou importantes, disse que geralmente suas pacientes alcançam a cura em 10 sessões mas que isso seria muito relativo e que dependeria do meu grau de dificuldade e de minha força de vontade.
A conversa foi muito esclarecedora pra nós duas e eu pude me abrir com outra pessoa, algo que não fazia há tempos e que me trouxe certo alívio.
Depois partimos pra avaliação física, ela precisava ver se eu não tinha nenhum outro impedimento, afinal, isso mudaria bastante o rumo do tratamento, mas felizmente eu sou normalzinha lá embaixo e então marcamos as próximas sessões.
Gente, não é fácil, principalmente porque os exercícios de contração/descontração da musculatura pélvica dão a impressão de não fazer sentido, mas a doutora cativou minha esperança e decidi fazer tudo certinho.
As sessões se baseiam nos diferentes tipos de exercícios nesta musculatura, isso inclui também massagens e movimentos semelhantes aos praticados no sexo, começam apenas com o corpo, depois passam para o uso de dedos e passam para dilatadores de tipos que eu nunca tinha visto nas minhas pesquisas pela net, são ótimos e eu acabei entendendo que ao descontrair eu estava ensinando meu corpo a reagir como eu queria no sexo, já que o vaginismo consiste basicamente no "travamento" dos músculos ao redor da vagina impedindo qualquer tipo de penetração, mostrar a estes músculos como relaxar passou a fazer todo o sentido.
Os exercícios, claro, eram ensinados nas sessões (e iam ganhando mais dificuldade à medida que o corpo permitia) e precisavam ser repetidos em casa, são divertidos e dei boas risadas com minha médica com nossas posições engraçadas em consultório.
Ao decorrer do tratamento ela percebeu que meu caso não seria tão simples e me indicou ajuda extra, com a Patrícia, terapeuta holística e homeopata que, pasmem, também atende perto da minha casa. Fui à Patrícia e passamos a aliar às sessões de fisio, medicação homeopática para descontração dos músculos, relaxamento e encorajamento, que ela adequou às minhas características pessoais que foi descobrindo na sessão que fizemos, com participação especial do marido.
Foi ótimo e saí revigorada, encomendei a medicação e passei a usá-las regularmente.
Não posso afirmar com todas as letras que ela (a medicação homeopática) seja milagrosa porque sou muuuito cética a respeito destas coisas.
Inclusive tentamos um tempo depois uma sessão de hipnose que foi ótima, sim, pedi que ela acessasse minha mente em estado alfa e me desse sugestões de cura. Foi proveitoso, mas disso falo mais depois.
O fato é que infelizmente minha vida entrou num turbilhão de coisas, estresse no trabalho que passou do nível agitado demais para o insano, a faculdade que resolveu apertar nossa garganta e uma viagem de família que não pude adiar, então minhas sessões com a fisio precisaram parar, os exercícios foram deixados para depois, minha cura parou de ter os avanços que eu já estava alcançando e aqui estou eu, ainda vagínica.
Posso garantir a vocês que o tratamento com uma fisio de confiança vale MUITO à pena. É ela que vai te dar dicas de como ensinar seu corpo a controlar esses travamentos e te passar confiança para enfrentar as fases não tão coloridas da vida de quem está enfrentando uma dificuldade deste tipo.
A terapia também é ótima aliada e, vale lembrar que procurei também uma Ginecologista (outro anjo que surgiu em minha vida) que também me avaliou e solicitou exames adequados para constatar minha saúde.
Pretendo voltar sim ao tratamento (à minha prótese que a doutora me aconselhou comprar) e sempre que posso faço os exercícios em casa, mas agora estou enfrentando um outro problema que está afetando diretamente minha cura: meu marido, que de uns tempos pra cá tem se mostrado desanimado com nossa vida sexual e se satisfaz tanto com o pouco que temos que tem me deixado preocupada. Mas isso é assunto para outro post.
Caso tenha ficado alguma dúvida sobre como funciona a fisio
perguntem nos comentários e ficarei feliz em responder.
Até a próxima!