sábado, 15 de agosto de 2015

Vencer a Ansiedade


Percebi, ao longo desse tempo de tratamento e luta contra o vaginismo, que a maior de todas as raízes por trás das dificuldades em minha vida é a ansiedade. 
Ela afeta tantas de nós, em tantas áreas de nossas vidas que não é justo que passe despercebida e forte. 
A correria do dia a dia, as cobranças do trabalho, dos estudos, da família, o excesso de informação e nossa necessidade constante de lidar com tudo isso da forma mais fina e ágil possível tem trazido consequências que às vezes só notamos tarde demais.
Encontrei uma matéria que me fez enxergar por um lado diferente todos os meus problemas para vencer de forma concreta meu vaginismo e queria compartilhar aqui.


Vencer a ansiedade
Medo, suores, sufoco, palpitações… 
os sintomas o paralisam e o mundo parece ameaçador.
Encare-o sem medo e descubra a vida. 
Na zona de conforto nada acontece.


 

Ilustração de João Fazenda

Dirigir, falar em público, relacionar-se com um grupo de pessoas conhecidas, matricular-se em um curso interessante, ir ao médico, fazer compras, educar os filhos, passar por uma prova, paquerar, relaxar em um jantar com amigos, ver um filme no cinema, andar de metrô, correr ou fazer uma viagem de férias. São situações cotidianas, nas quais se poderia aproveitar e aprender, mas que se transformam em um verdadeiro desafio ou até martírio para as pessoas que sofrem de ansiedade.

Alguns dos sintomas que acompanham essas pessoas são sensação de sufoco, asfixia, palpitações, transpiração, tensão muscular, boca seca, bloqueios mentais, sensação de irrealidade, estado de confusão mental, esquecimento de palavras ou até do desenrolar de uma conversa, insônia, apatia e vontade de chorar. A cabeça parece uma máquina de lavar centrifugando. Uma ideia atrás da outra, os pensamentos se repetem, se atropelam, questionando, avisando, ameaçando, fazendo a pessoa sentir que é inútil e não é capaz de tomar o controle de sua vida. Basta!

Respire, tenha um momento de calma e leia a seguir como ganhar o jogo contra a ansiedade. Aplicando os conselhos abaixo, você aprenderá a colocá-la no lugar que merece. Você pode escolher os pensamentos e as emoções que o tornarão uma pessoa com recursos. Não seja uma marionete de suas emoções. Você tem capacidade para escolher e participar ativamente da sua vida.

Mude o foco da atenção. Seus sintomas não são os protagonistas, o protagonista é você. Chega um momento em que surge o famoso medo do medo: você fica dependente de como seu corpo se comporta, da intensidade com que se manifestam seus sintomas de ansiedade e como eles condicionam sua vida. Você faz um check-up, se submente a exames, comprova suas funções vitais para decidir se está apto ou não para enfrentar cada situação. Todo o seu mundo gira em torno do que ocorre dentro de você. Quanto mais concentrar sua atenção naquilo que não quer que ocorra, mais aumenta a possibilidade de que aquilo aconteça. Por que? Porque você está instruindo seu cérebro a ficar dependente de qualquer sinal de alerta. Você converteu em ameaça sinais que não são isso. Sua mente agora está treinada para buscar palpitações, transpiração e outras reações. E quando as detecta, ela o adverte dizendo “Perigo!”. O sinal vai rapidamente ao sistema nervoso simpático, e este se acelera pensando que tem que protegê-lo da fera. Ele prepara você para sair correndo ou lutar. E como ninguém luta com ferocidade estando em estado de calma, a mente ativa todos os seus sentidos. O coração bate forte, seus músculos se tencionam, você começa a suar e a respirar de forma agitada. Você está pronto para o combate. A resposta do corpo é lógica. 
O que não é lógico é que seu mundo seja tão ameaçador. É preciso parar de fazer tanto exame.

"Quando muda o modo em que vê as coisas, as coisas que vê mudam também”, Wayne Dyer.

Conselho: Aprenda técnicas de relaxamento e meditação? Já experimentou o mindfulness? Sua atenção tem que estar naquilo que ocorre a seu redor. Não no que resta, mas sim no que o alimenta. Se você está passando uma boa tarde na companhia de amigos, observe seus rostos, entre de cabeça na conversa, saboreie o que está sendo servido, preste atenção na temperatura e na paisagem. A vida está acontecendo a seu redor. A vida não está nas respostas de seu organismo. A atenção não pode estar em dois assuntos ao mesmo tempo. Ou você vai notar o quanto está se sentindo mal ou vai se concentrar em aproveitar o momento. E se um sintoma der sinais, fique tranquilo, deixe-o acontecer. Mas não converse com ele nem expresse seu temor. É maravilhoso ter sintomas: significa que você está vivo!

Converse consigo mesmo em outro idioma. O tipo de vocabulário que uma pessoa ansiosa mais utiliza para se expressar é algo como “estou com medo, estou sobrecarregado, não posso, e se..., não estou preparado, outra hora, estou tremendo, está tudo péssimo” e inúmeras expressões que tendem ao catastrofismo e com as quais a pessoa se sente insegura e incapaz.

A maneira que você tem de pensar e se expressar condiciona suas emoções e seu comportamento. Se expressa que há ameaças, seu sistema nervoso se ativa e desencadeia a resposta da ansiedade. Simples assim. É a terceira lei de Newton: ação e reação. Você precisa falar consigo mesmo em outros termos. Você passa tanto tempo antecipando o fracasso e o perigo que carece de expressões e do vocabulário adequado para enfrentar as situações.

Conselho: Quem escolhe os pensamentos que invadem a sua mente? Ninguém mais do que você. Agora você está acostumado a se relacionar com um estilo cognitivo alarmante. Mas é possível substituí-lo por outro que o permita contemplar o mundo sem esse caráter ameaçador. Para modificá-lo, você terá que escrever... Diante da situação temida, anote como gostaria de enfrentá-la e os pensamentos que poderiam ajudá-lo. Não evite pensar nela, apenas aceite-a. Ela não é perigosa, só incômoda.

Desapaixone-se. Não de sua namorada ou esposa, mas da possessiva ansiedade. Se você se der conta, verá que se comporta com ela como se vivesse um romance em plena efervescência. Você a observa, a encara, responde a ela, fala com ela e fala dela para todo o mundo. Seu círculo se limita à ansiedade. Ela decide por você se pode fazer algo ou não. Você deu a ela poderes demais. Mantenha um diálogo para colocar uma distância entre vocês, e até a desafie.

Conselho: Cada vez que notar que está atemorizado pelos sintomas, em vez de verbalizar “não aguento mais, estou péssimo, assim não posso continuar, não sairei nunca desse buraco”, diga algo como “que chata, o dia inteiro com um sintoma aqui, outro ali. Se você não se importa, vou ler, trabalhar, correr etc., e mais tarde, se tiver vontade, volto a te escutar. Agora não é hora”.
Deixe de evitar. Cada vez que acontece aquilo que você teme, é comum se sentir protegido e conformado em sua zona de conforto. Mas este não é o lugar onde você quer estar. Aí não acontece nada interessante, apenas ter tudo sob controle.

Conselho: Proponha a si mesmo se transformar em um explorador, um aventureiro. A vida é para ser descoberta, inclusive atravessando emoções desagradáveis. Qualquer um que estabeleça um desafio para si mesmo sabe que haverá momentos de alegria e orgulho, e outros de desvanecimento, desilusão, esforço e preocupações. Não é preciso esperar por uma luz para dar um passo adiante. Será necessário sair da sua zona de conforto com dor de cabeça, enjoos e palpitações. E sabe o que você vai descobrir? Que é capaz de fazer isso, que não é tão dramático quanto antecipava e que as emoções desagradáveis não são incompatíveis com a vida cotidiana. Quanto antes você se familiarizar com elas, melhor. Rafael Nadal gosta de jogar tênis, mas não deve apreciar competir com as mãos cheias de bolhas. Ele o faz mesmo assim. É o passo necessário para tentar ganhar.

"Minha vida foi cheia de desgraças terríveis, a maioria delas nunca aconteceu”, Michel de Montaigne

Tome uma atitude. Ninguém vai fazer isso por você. Deixe de ruminar. A solução não está em pensar cada vez mais em seu mal-estar. A solução está em recarregar as baterias e fazer o que é incompatível com a resposta de ansiedade: relaxar, pensar de maneira útil, rir muito e desdramatizar mais, descansar, levar uma vida equilibrada, ter amigos e bons momentos para guardar na memória.

Conselho: Não tente racionalizar tudo. Deixe de pensar mil vezes no que pode acontecer. A vida tem seu ponto de inconsciência. Se você quer se superar, terá que correr algum risco, ainda que pequeno. Mas a vida está cheia deles. Nada acontece se você não participa. E cometa erros. Falhar faz parte da aprendizagem. O único que pode se reprimir e censurar é você mesmo, e deve se lembrar o tempo todo que não é obrigado a fazê-lo.

Aquele que não corre nenhum perigo é aquele que deixou de viver por tudo sempre sob controle. Não desanime. Acomodar-se e proteger-se não é a solução para sua ansiedade. Se você colocar estes conselhos em prática, posso até já prever o resultado do jogo: Ansiedade 0 – 5 Você.






quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Quando há um parceiro Envolvido

 

Antes de mais nada, perdão pelo sumiço às leitoras que me acompanham.
Pensei em explicar motivos mas acredito que quando se escreve um blog focado em desabafo e ajuda para um problema em comum, a gente sabe automaticamente que nem sempre é possível ser assídua. As prioridades de tempo são complexas e quando não há nada de efetivo a dizer o melhor é silenciar... e viver. 
Bem, estive vivendo meu tratamento.

Esta postagem é mais um agradecimento ao parceirão que a vida me deu.
Eu e o esposo convivemos com o vaginismo desde muito antes de nos casarmos e me alegrou profundamente perceber que, mesmo após tanta frustração e lágrimas, ele não desistiu de nós, mesmo quando eu quase o fiz.
Minha sexóloga me trouxe a uma etapa do tratamento mais focada em materializar mudanças. Chegou a fase de tentar, tentar e tentar. Eu fugi disso por muito tempo. Mesmo lutando tanto no meu emocional contra as consequências do vaginismo em minha vida, o físico era ainda preservado e, emocional entendido e adiantado,
era a vez do corpo.
Voltei com força total aos exercícios da fisioterapia e uso de dilatadores, mas após duas semanas neste treinamento o resultado ainda era mais lento do que eu gostaria. Então, após perceber que um nó na minha garganta estava formado e piorava, identifiquei em mim sinais de depressão...

Uma crise de choro. Poucas lágrimas. O tal nó insuportável. Pressão no peito. Cansaço.
Ele resolveu intervir efetivamente e quando perguntei o porquê explicou que doeu me ver assim... Vejam bem, quando ainda morava com minha mãe eu chorava muito, nosso relacionamento mãe e filha (que hoje é ótimo) estava péssimo e eu me sentia constantemente afrontada e humilhada. Depois de casar essas lágrimas haviam parado, até este dia... Foi estranho sentir tanta dor, vontade de sumir e perceber que as lágrimas nem sequer caíam direito, não me traziam a chance de lavar a alma.

Pois bem. O marido buscou inspiração e iniciou comigo um tratamento de dessensibilização que para minha alegria, está funcionando muito bem. É um processo tranquilo, sem pressa, cobranças, mas firme e diário. Uma nova esperança me encheu o peito e eu queria dizer isso aqui.
Sei que um texto que ele leu e parece ter trazido um pouco dessa inspiração veio do Caio Fábio (que parece ser um sujeito polêmico em seu meio religioso, mas honestamente isso não faz diferença alguma para nós) e acredito que muitas mulheres com vaginismo, e seus parceiros, devem ter ouvido falar dele, acho que vale a pena ler e claro, filtrar o que se acha válido. Esse é o link:
http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=01677
O espelho com o conhecimento, a firmeza para não desistir, as palavras de incentivo para animar e o contato gradativo para curar. Paciência, disciplina, persistência e fé.

Acho importante lembrar também que muitas de nós não tem neste momento um parceiro para ajudar.
Por isso a ajuda profissional (gineco, fisio, terapeuta) é de suma importância. 
Tem meninas que conseguiram se curar sozinhas, munidas de determinação e disciplina, mas é como eu disse à minha sexóloga: meus problemas de saúde sempre foram físicos, então eu buscava tratamentos, tomava medicações e pronto, resolvido. É a primeira vez que me sento num divã para me curar (eu mesma, nada de remédios) por dentro e sabemos que ainda há ceticismo e preconceitos sobre a efetividade de tratamentos psicológicos. Estou compreendendo a importância deles, mas até pouquíssimo tempo eu fazia parte deste grupo incrédulo. Preciso ser tolerante comigo mesma, compreender minha limitação para daí vencê-la e, que bom, estou conseguindo!

Um mega agradecimento à minha querida Dra. Patrícia por sua firmeza delicada
e ao meu melhor amigo e amado esposo, por toda paciência e dedicação.
Sou abençoada por poder trilhar este caminho com vocês.

E um abençoado Ano Novo a todos nós, repleto de coragem, forças e conquistas!
Vamos fazer de 2015 um dos melhores anos de nossas vidas!




sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Primeira raiz: a religião


Em minha sessão semanal com a sexóloga chegamos a um dos fatores mais influentes em meu vaginismo: minha criação religiosa. Para quem não sabe, quase virei freira. Educada em lar católico, lembro que diversas vezes quando pequena, deixava de brincar com os primos pelo simples prazer de ajoelhar ao lado de minha avó e fazer orações e ofícios. E como eu amava tudo aquilo.
O problema começou na adolescência e foi piorando a cada ano. Acabei me aprofundando cada vez mais na igreja, tornei-me formadora e por isso,
precisava ser "exemplo".
Quer exemplo maior de pureza do que ser casta
e deixar clara minha opção por casar virgem?
Como era estranho ouvir de amigas que "se afastaram de Deus e caíram em pecado, engravidando sem casar". Como era triste ver como essas meninas eram tratadas por aqueles que pregavam o amor do Cristo para com todos. Como era doloroso pedir por elas e ser vista como um "provável futuro problema". Elas estavam sendo castigadas pelo mesmo Deus que as fez sexualmente normais. Como assim?

O problema maior não é a religião em si. Eu ainda vejo religiões como conforto, encontro de amigos e coisas do tipo. Elas só deixam de ser saudáveis quando uma tênue linha entre o que é ser bom e o que é ser mau se faz existir. A igreja por muito tempo dominou a política, as regras vinham dela e, por ser necessária uma "intervenção" no modo de vida da sociedade antiga, ela criou regras, estabeleceu limites e determinou as punições. Quantas e quantas mulheres que se masturbavam e tinham mais de um parceiro sexual não foram queimadas como bruxas para servir de exemplo? Em quantas comunidades do Oriente Médio mulheres já foram (e ainda são) castradas e apedrejadas até a morte por desejar um homem diferente do que o que lhes foi estabelecido?

Nosso problema parece vir da vagina mas já sabemos bem que vem de nossas mentes, ensinadas, desde sempre, que tocá-la é sujo e feio. Como tocar uma parte do nosso próprio corpo (e principalmente uma que nos traz prazer) pode ser errado? Imagine se aquela sensação boa que temos quando coçamos nossa pele fosse errada? Ou se limpar o ouvido com o cotonete fosse, sei lá, pecado?
Não seria ridículo?
Digo isto porque fica mais fácil compreender quão tosca
é essa relação entre vagina e pecado. 
Meu marido disse um dia que "se Deus fez o pênis e a vagina para encaixar tão direitinho e trazer tanto prazer, isso não pode ser ruim". E não é. 
E sabemos disso porque todas essas pessoas que consideram sexo impureza, fazem sexo, seja com suas esposas/maridos, seja de forma oculta, mas fazem porque é instinto natural do ser humano.

O preconceito com uma pessoa sexualmente ativa nasce em nosso seio familiar e é quase sempre incentivado por nossas religiões
mas ele só perdura porque NÓS deixamos.
Quando vemos uma mulher com roupas curtas na rua e a julgamos. Ou quando uma amiga fala que teve uma noite tórrida de sexo com o namorado e aquele pequeno juiz que mora em nossas mentes dominadas grita lá no fundo como ela é "pra frente demais" e até mesmo quando passamos na frente de uma Sex Shop e sentimos vergonha que alguém nos veja entrar. 
"O que vão pensar de mim?"

Esse medo nos tortura e nós mesmas permitimos isso.
A vagina é elástica, feita para a penetração e, de brinde, ainda temos nela um mecanismo que torna tudo isso prazeroso. Como ainda podemos deixar que pessoas alheias aos nossos sentimentos e sonhos
nos digam o que fazer com nosso próprio corpo?
Como podemos achar que um DEUS que nos fez como somos e que criou tudo mais ao nosso redor pode achar ruim que sintamos prazer?

É um pequeno passo para me tornar livre.
Sejamos todas donas dos nossos corpos, desejos e prazeres.
E viva o prazer!


quarta-feira, 30 de julho de 2014


A frase que resume bem meu sentimento atual, com um agradecimento especial à minha sexóloga, Dra. Patrícia que tem trazido uma nova luz sobre a forma como encaro meu vaginismo. 
Que essa luz seja forte o bastante para me trazer a coragem que preciso para encarar meus medos e colocá-los para correr da minha vida!

domingo, 6 de julho de 2014

Adeus, Vaginismo! A história da Gabi.


Voltei com duas novidades: amanhã tenho minha primeira consulta com uma sexóloga. Minha psicóloga indicou para que eu possa dar um enfoque maior na minha sexualidade já que com ela tenho tratado as consequências do vaginismo, mas não o efeito dele no meu corpo.

A segunda é a história de superação da Gabi. Ela venceu o vaginismo e me enviou um depoimento belo e honesto. Acredito que compartilhar histórias, seja de mulheres em tratamento ou das que já alcançaram a cura, é uma ótima forma de nos incentivar e nos ajudar a perceber que é sim possível vencer. Então aqui está:

Sou Gabi, tenho 22 anos. 
Você pode até me achar muito nova, e realmente pode até ter história de vagínicas muito mais densas do que a minha, mas o vaginismo me trouxe sofrimento durante um tempo considerável, e me demandou muito esforço para superá-lo.
Fui criada por uma família evangélica, e sempre tive orientações muito rígidas em relação ao sexo, o que acredito ter sido a principal causa do vaginismo. Além disso, minha mãe engravidou ainda adolescente, e sempre me falava como uma gravidez e sexo "promíscuo" poderiam arruinar a vida de uma jovem. Para piorar, minha vó veio a falecer devido a uma doença venérea. Acredito que inconscientemente passei a ver o sexo de uma forma ruim, e quando comecei a namorar e ter os primeiros contatos mais íntimos, já me imaginava grávida, doente e debaixo da ponte.
Tive meu primeiro namorado aos 17, e depois de alguns meses de namoro, decidimos ter nossa primeira relação sexual. Como já imaginam, não consegui. E foram uma série de tentativas frustradas durante 1 ano e meio. Éramos adolescente, ansiosos, a maioria dos nossos amigos estavam iniciando a vida sexual e nós também queríamos. Mas o namoro acabou sem que isso ocorresse. Ficava com inveja das minhas amigas contando que perderam a virgindade de uma maneira normal, sem uma dor insuportável. E eu parecia que tinha uma parede no lugar da vagina.
Um tempo depois, conheci outro rapaz e depois de um tempo lá vou toda serelepe tentar de novo e vocês já sabem o que aconteceu. Esse porém logo me rejeitou. Depois de uma tentativa horrorosa ele terminou comigo. Me senti um lixo, e decidi focar na faculdade, no trabalho e ficar só. Saía com uns paquerinhas, mas não passava disso. Tinha medo de levar uma relação adiante e passar vergonha depois.
No ano passado conheci meu atual namorado. No início, fiquei um pouco pé atrás quando começamos a sair, mas me sentia só, queria namorar, ter alguém. Via meus amigos felizes com sua vida, namorando, noivando e eu me sentia anormal. Depois de um tempo ficando, ele me pediu em namoro e no decorrer das coisas, fomos ter nossa primeira relação. Fracasso total. Comecei a achar que algo estava errado e resolvi procurar uma ginecologista. Eu sempre ouvi falar que perder a virgindade doía, mas anos tentando e não conseguindo para mim era demais. Devia ter algo errado.
Depois de uns exames de toque, ultrassons, e tentativa frustrada de transvaginal, ela me diagnosticou com vaginismo, e me falou que os tratamentos existentes eram mais eficazes com uma psicóloga, do que com uma ginecologista. Chegando em casa, comecei a pesquisar sobre vaginismo na internet e bateu o desespero. Li histórias muito tristes de mulheres com anos de casamento não consumados, mulheres em depressão e eu não queria aquilo para mim. Acredito que essas mulheres tiveram os primeiros indícios de seu vaginismo quando eram mais novas, mas não procuraram ajuda por vergonha, repressão, desinformação e eu não queria passar anos e anos assim. Procurei uma sexóloga pelo google mesmo e conheci um verdadeiro anjo na minha vida.
Durante as sessões descobri muito sobre mim e na minha forma de ver a intimidade, que eu não percebia. Ela me orientou a comprar os dilatadores vaginais e eu comprei os da Absoloo, porque achei o do vaginismus.com muito caro. Eu que me achava tão esclarecida, me via nas sessões fazendo perguntas que hoje até uma menina de 15 anos sabe, o que me mostrou como eu era desinformada em relação a sexo, prazer e intimidade.
As sessões realmente pesaram no meu orçamento, mas valeram muito a pena. Ela me orientava como fazer os exercícios, como contar e conversar sobre isso com meu namorado, que sempre foi maravilhoso e me deu todo apoio.
Tivemos inúmeras tentativas frustradas e eu chorava horrores após cada uma delas. Achava que ele ia transar com a primeira mulher "normal" que encontrasse na rua. Ele nunca me deu motivos para pensar isso, mas eu ficava tão desesperada com o vaginismo, que as vezes não pensava coisa com coisa.
Comecei a fazer os exercícios do espelho e com os dilatadores. Na verdade eu odiava os exercícios porque me faziam dormir tarde, e meus dias eram cansativos. Fui muito negligente, fazia de má vontade, tinha vergonha de pedir para meu namorado fazer comigo. Não cometam esse erro. Se esforcem, sejam disciplinadas com os exercícios. Eles ajudarão vocês a se conhecerem, a controlar a musculatura da região pélvica, e saber como agirem em uma situação de desconforto com a penetração.
Depois de uns 8 meses de exercícios e terapia eu comecei a me sentir um pouco desanimada. Achava que a cura estava demorando muito. Eu e meu namorado resolvemos fazer uma viagem, e voltando de uma festa, resolvemos "tentar". Acho que depois de um tempo só tentávamos para cumprir tabela. Depois de tantas tentativas frustradas, ele já dava algum sinal de desânimo e eu estava me acomodando à situação também. 
Mas dessa vez algo foi diferente. Tentamos e conseguimos. Sem dor!!! Foi um pouco desconfortável em alguns momentos, mas nada daquela dor insuportável, tive penetração completa e eu nem acreditava. Depois dessa todas as tentativas foram bem-sucedidas. As vezes sinto uns incômodos, peço para ele parar um pouco antes, mas tenho conseguido fazer sexo e descobrir um prazer que nem sabia que existia.
Meninas, não desistam. A cura é totalmente possível. Existem tratamentos, recursos e profissionais para nos ajudar. Os índices de eficácia dos tratamentos são altíssimas, e todas as mulheres merecem uma vida sexual plena e saudável.
Espero ainda ler muitas histórias de curas nesse blog.
Grande abraço.
Gabi.

Parabéns, Gabi! Que o sucesso nessa etapa sirva de inspiração para todas as lutas em sua vida! Que sirva de inspiração para as nossas lutas também!

domingo, 18 de maio de 2014

Novas Experiências


Estou numa fase complicada, as tribulações da vida estão me tomando tanto tempo que minha dedicação aos tratamentos caiu muito, mas desistir, jamais.
Andei pesquisando uma nova opção para aproximar o casal e promover uma dessensibilização, que é super importante para mulheres como nós. Eu e o marido faremos um teste e trarei os resultados assim que puder. Não é um tratamento para o vaginismo, mas com objetivos como os que citei acima ele pode ser útil e o que for bom, merece ser compartilhado.
Até lá, força! 
E gostaria de indicar a postagem no Blog de uma amiga que me trouxe um ar leve e esperançoso ao coração:


domingo, 16 de março de 2014

Os tais Dilatadores


Preciso começar esta postagem dizendo que, por mais que os dilatadores que comprei e vou citar foram feitos para tratamentos, inclusive do vaginismo, são de material macio e até bonitinhos, o importante não é tê-los em mãos, mas buscar formas de cura. Então, se você que está lendo não consegue ou não pode comprar e ficou preocupada por achar que sem os dilatadores não vai alcançar a cura, vou esclarecer que isso não é verdade. Por mais que eles ajudem, basta dar uma olhadinha na imagem para entender que qualquer objeto, que não seja capaz de machucar e que possa ser lavado e devidamente revestido por camisinha vai servir sim, para o tratamento. Cotonetes, dedos, frutas, verduras e afins. O importante é, como eu disse, buscar meios.

Os meus tais dilatadores chegaram e, pra variar, quando eu me encontro diante de uma nova possibilidade de cura, travo. Pois é, ainda sinto medo.
Claro que eu ainda não sei o motivo então resolvi finalmente me aventurar na cadeira de uma psicóloga. Como a grana anda curta decidi procurar uma que aceitasse convênio, então ela não é sexóloga e nem especializada no assunto (é incrível que em pleno 2014 ainda haja tão pouca oferta de ajuda para problemas sexuais e, caso haja, seja tão difícil encontrar), mas pelo primeiro bate papo eu curti e acho que pode me ajudar nesse travamento diante da possibilidade de me curar.

Já tentei, claro, usar o primeiro dilatador, não foi fácil como eu pensava mas eu não pretendo desistir.
Espero voltar em breve dizendo que está dando tudo certo!
Então... até logo!

Adendo:
Comprei meus dilatadores numa sex shop ótima que faz entregas pelo país, tem um preço super justo. A entrega foi ótima, veio numa embalagem mega discreta e chegou rápido, além do acompanhamento, então, pra quem quer adquirir e não quer pagar o preço absurdo que vi em alguns sites, aqui vai o link:


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Vaginismo Nele


Já faz algum tempo venho adiando essa postagem.
Achava que ainda não entendia o bastante para postar mas agora acredito que estou numa fase mais consciente para divagar sobre o tema:
quando o vaginismo atinge nossos amados.

Sou casada há 1 ano, mas já estamos juntos há 10 então nossas tentativas de vida sexual começaram há algum tempo. Como expliquei anteriormente nossa educação religiosa foi rigorosa, principalmente a minha, então essas tentativas demoraram um bocado para acontecer e quando aconteceram...bem, não foi exatamente como imaginávamos que seria.
Claro que na minha cabeça beata da época imaginei milhares de motivos para aquela dificuldade e cheguei a acreditar sim, que depois de casada tudo se resolveria, eu teria liberdade e privacidade para tentar e tudo ficaria magicamente resolvido, porém antes mesmo do casamento acontecer descobri o motivo que me impedia de "deixar acontecer" e tudo foi se encaixando.
Meu esposo era virgem quando nos conhecemos e imagino que esse fato por si influenciou muito na paciência que ele sempre demonstrou com o meu vaginismo.
No começo eu achava super fofo, romântico até, mas só quando eu senti uma necessidade maior de auxílio, de iniciativa por parte dele, foi que a fofura ficou de lado e a urgência me atingiu.
Claro que eu sei que, o problema sendo em mim, a maior interessada precisa ser eu mesma e não sei se outras mulheres pensam o mesmo, mas eu sempre senti necessidade de alguém firme ao meu lado, alguém que tomasse a frente e me ajudasse de forma eficaz.
A fisioterapeuta fez o que pôde, a terapeuta também, mas a pouca experiência e comodismo do meu esposo afetaram diretamente
meu pouco interesse em vencer o problema.

Há um tempo atrás tivemos uma conversa franca sobre isso e a resposta que ouvi dele ligou um botãozinho de alerta dentro de mim, mas também me fez entender o que ele pensa de verdade. O que ele disse? Que se eu não conseguisse me livrar do vaginismo para ele estava tudo bem, que o jeito que nós encontramos para nos saciar sexualmente estava ótimo e que eu não precisava ficar me magoando só
pra tentar agradá-lo.
BUM! Minha cabeça explodiu!

Se eu tivesse, sei lá, 15 anos de idade acharia aquilo uma verdadeira prova de amor, mas infelizmente não é assim que minha cabeça de mulher amadurecida
compreende os fatos.
Ora, não está bom! Eu quero me sentir mulher por completo, quero vencer uma barreira psicológica que me diminui tanto e o mais importante, quero ter filhos.
Não quero entrar no grupo de vagínicas que engravidam por meio de inseminação e precisam optar por cesariana por medo do parto normal. Como ficaria minha cabeça?! Muito pior, com certeza.
Honestamente falando não sou a mulher mais interessada do mundo, procrastino sempre que posso a busca efetiva pela cura e percebi o quanto isso afetou meu esposo: ele se tornou vagínico também.
O interesse dele por sexo, que de acordo com sua idade e saúde deveria ser bem maior, acabou refletindo o meu próprio interesse. Anos e anos de frustração se acumularam e mudaram drasticamente nossa vida sexual já tão limitada. Não digo que somos castos, oh não, temos nossos meios de "alívio", mas qualquer pessoa normal tem desejos naturais e eu também os tenho e o fato de não poder saciá-los normalmente não quer dizer que eles não voltem.

Como fonte de pesquisa e ajuda consegui fi-nal-men-te comprar o livro da Linda Valins, Quando o Corpo da Mulher Diz Não ao Sexo: Compreendendo e Superando o Vaginismo. Ele não é mais impresso então a única forma de adquirir é procurando loucamente em sebos e livrarias antigas. Toda vez que eu encontrava uma cópia dava algo errado mas recentemente consegui um na Estante Virtual (e graças a nossa linda amiga Anne, do blog Vencendo o Vaginsimo, temos também a possibilidade de fazer o download do livro que ela comprou, escaneou e disponibilizou para solicitação aqui). Pretendo escrever um post sobre minhas impressões do livro mais pra frente, então vou só explicar que através dele e lendo mais sobre a forma como o vaginismo costuma afetar os parceiros de mulheres vagínicas passei a ver as reações do meu marido sob uma luz diferente. Ele também sente medo, em sua cabeça ele é o dono da parte do corpo que tenta me "machucar" a cada tentativa de relação e o "co-responsável" por essas tentativas acabarem em frustrações. Não deve ser fácil amar uma vagínica.
Pra nossa sorte temos hoje na internet os relatos corajosos do Marcelo Adamus, responsável pelo blog Cartas de Um Marido Vaginista, disponível na listagem de blogs ao lado e que aconselho para leitura. Nele o Marcelo abre francamente os medos e anseios do que é conviver com uma mulher vaginísmica (termo que aprendi no livro) e imagino como meu próprio marido divagaria sobre o tema se gostasse de escrever, mas ele não gosta então minhas noções sobre ele
se baseiam mais nas conversas que temos.

O que resolvi? Que eu preciso incentivá-lo. Sim, já me vitimizei demais, já perdi tempo demais choramingando e buscando no meu marido e nas profissionais que me auxiliaram o milagre, que percebi, só vou alcançar por mim mesma. Não existe um botão que se aperte para solucionar um problema psicológico e mesmo que ele existisse, é um tipo de mecanismo que eu só encontraria
se buscasse de verdade dentro de mim.
Adiei sim, minha cura, mas sou adulta o bastante pra enxergar minha fraqueza e procurar armas para vencê-la. Só preciso mudar um pouco mais a forma como lido com minhas limitações, jogar uma luz sincera sobre elas, conhecê-las sem medos e finalmente combatê-las francamente.
É o que pretendo para mim e desejo para todas nós: forças, lutas, vitórias.

Um feliz e corajoso 2014 para nós!


domingo, 29 de setembro de 2013

Mantras como Tratamento


Há uma coisa que talvez precisem saber sobre mim para poder entender essa postagem e porque eu quis escrever sobre este tema aqui. Não há nada que consiga me tocar mais profundamente (além do mar, mas como estou um pouco longe dele...) do que música.
Sei que existem várias outras pessoas como eu por aí, que conseguem se conectar mais consigo mesmas através de canções do que falando, ouvindo, lendo, vendo.
Músicas são minha terapia imediata de melhor efeito. 
E tem um estilo musical que amo desde muito cedo, Mantras.
Talvez nem todos entendam esta parte e considerem hippie demais, mas gente, só quem já parou para ouvir Tomaz Lima consegue entender o que é adoçar o coração com os sons que ele produz.

Então, pensando nesse tipo de música e na necessidade que nós, vagínicas, temos de ensinar nossas mentes sobre a beleza que é o sexo, que ele é natural para nossos corpos, que é a manifestação suprema do amor entre duas pessoas e que, ao contrário do que possam ter dito, não é feio, nem ruim e muito menos pecado (ora, como diz meu marido "se Deus fosse contra o sexo não nos permitiria sentir desejo e nem nos daria peças que quando se encaixam provoquem tanto prazer"). Pecado pra mim é fazer mal a si ou a outros.
Mas sexo para mim sempre foi tabu e só recentemente pude perceber que não foi o abuso na infância que gerou o vaginismo em mim, isso foi apenas uma parte do problema. O ápice mesmo foi minha criação rigorosa, onde apenas pensar em beijos parecia sujo, tocar o próprio corpo então, era algo digno de desprezo.

Hoje, adulta e casada, percebo a importância da relação sexual para meu corpo e não apenas porque por ela eu vou gerar filhos, mas porque quero me sentir uma mulher completa, quero sentir o prazer que tantos sentem e proporcionar esse prazer, como prova de amor, ao meu marido.
Se você que está lendo não é casada e acha que isso atrapalha saiba que está enganada. Muito antes de ficantes, namorados, noivos e maridos, seu grande amor deve ser você mesma.
Nós merecemos esse prazer e podemos dar isto ao nosso corpo porque o amamos.
Então, vamos economizar palavras e partir para as sensações. Tive uma ideia que achei legal!
Vou colocar aqui embaixo alguns mantras de cura que criei de acordo com as necessidades que descobri ao percorrer esse caminho de tratamento e espero que possa ajudá-las também.
Vou deixar um áudio pra que possam ouvir de fundo enquanto repetem esses mantras suavemente, sem pressa, num lugar onde não sejam incomodadas e onde possam dar toda a atenção apenas a vocês mesmas.
Fiquem confortáveis, fechem os olhos e se entreguem. Se souberem chegar ao estado alfa melhor ainda, funcionará como uma auto hipnose e a mensagem chegará ao seus inconscientes, mas se não souberem, o simples ato de repetir servirá de ensino às suas mentes. Enquanto repetem os mantras imaginem seus corpos sendo tomados de uma luz suave e acolhedora, aquecendo e espalhando-se por cada parte deles e especialmente em suas partes íntimas. Vamos deixar que o amor afaste o medo.
Namastê.

"Sou dona do meu corpo e da minha mente."

"Corpo relaxado, prazer dobrado."

"Sou uma mulher perfeitamente normal e estou pronta."

"Vou relaxar totalmente ao sentir desejo."

"Quando me toco sinto meu corpo relaxar."

"Meus desejos sobrepõem meus medos."

"O toque do meu amado faz meu corpo relaxar."

"O sexo é uma manifestação sublime do amor."

"Amo e conheço meu corpo, quero dar-lhe prazer."

"Sou uma mulher forte e posso superar tudo."

"Minha cura só depende de mim e vou lutar por ela."

Esses são apenas alguns exemplos e você pode adaptar os mantras às suas necessidades. 
O importante aqui é fortalecer sua mente e colocar-se no domínio de suas emoções.

Música: In The Land Beyond My Dreams - Tomaz Lima

sábado, 28 de setembro de 2013

A Fisioterapia Uroginecológica



Alguns de meus poucos, mas queridos leitores, me deram a ideia de descrever como funciona a Fisioterapia Uroginecológica. Antes de ler sobre a especialidade em alguns blogs voltados para o tema vaginismo, eu sequer sabia da existência da mesma e digo que qualquer coisa que significasse ajuda nesta luta despertaria minha atenção. 
Então acabei encontrando uma indicação aqui em Brasília, liguei e fiquei empolgadíssima ao descobrir que a médica atendia na minha região e, por incrível que pareça, poderia me atender no consultório de uma amiga, no mesmo prédio onde eu trabalho. "Ooohhh!" Ouvi aquele corinho divino quando algo legal acontece nos filmes, pensei que era muita sorte e marcamos uma avaliação.

Parece fácil, mas pra uma mulher vagínica que fugia de ginecologistas
 marcar encontro com alguém que:
a. Você nunca viu antes;
b. Você sabe que vai querer te ver de perto (e por perto entenda perto MESMO);
c. Essa pessoa vai ter que tocar em áreas que nem você gosta de tocar.
Olha... eu tremi na base. 
Mas a vontade de ficar curada era maior que o medo então lá fui eu.

A primeira impressão foi ótima, a Dra. Áurea não tem esse nome por acaso, ela parece um anjo de verdade, loirinha, delicada, simpática e doce. A fofura em pessoa, mas eu ainda não sabia se na hora da verdade essa fofura ia me ajudar porque, cá entre nós, não sou a pessoa mais disciplinada que existe e costumo funcionar mais na base do sacode do que do afago, mas, pra minha felicidade, ela soube ser firme.

Começamos com um bate papo, eu disse a ela tudo o que me aconteceu, porque me fechei, porque não consigo me abrir ao sexo como a maioria das pessoas normais e ela foi escutando tudo e anotando os pontos que considerou importantes, disse que geralmente suas pacientes alcançam a cura em 10 sessões mas que isso seria muito relativo e que dependeria do meu grau de dificuldade e de minha força de vontade.
A conversa foi muito esclarecedora pra nós duas e eu pude me abrir com outra pessoa, algo que não fazia há tempos e que me trouxe certo alívio. 
Depois partimos pra avaliação física, ela precisava ver se eu não tinha nenhum outro impedimento, afinal, isso mudaria bastante o rumo do tratamento, mas felizmente eu sou normalzinha lá embaixo e então marcamos as próximas sessões.

Gente, não é fácil, principalmente porque os exercícios de contração/descontração da musculatura pélvica dão a impressão de não fazer sentido, mas a doutora cativou minha esperança e decidi fazer tudo certinho.

As sessões se baseiam nos diferentes tipos de exercícios nesta musculatura, isso inclui também massagens e movimentos semelhantes aos praticados no sexo, começam apenas com o corpo, depois passam para o uso de dedos e passam para dilatadores de tipos que eu nunca tinha visto nas minhas pesquisas pela net, são ótimos e eu acabei entendendo que ao descontrair eu estava ensinando meu corpo a reagir como eu queria no sexo, já que o vaginismo consiste basicamente no "travamento" dos músculos ao redor da vagina impedindo qualquer tipo de penetração, mostrar a estes músculos como relaxar passou a fazer todo o sentido.
Os exercícios, claro, eram ensinados nas sessões (e iam ganhando mais dificuldade à medida que o corpo permitia) e precisavam ser repetidos em casa, são divertidos e dei boas risadas com minha médica com nossas posições engraçadas em consultório.
Ao decorrer do tratamento ela percebeu que meu caso não seria tão simples e me indicou ajuda extra, com  a Patrícia, terapeuta holística e homeopata que, pasmem, também atende perto da minha casa. Fui à Patrícia e passamos a aliar às sessões de fisio, medicação homeopática para descontração dos músculos, relaxamento e encorajamento, que ela adequou às minhas características pessoais que foi descobrindo na sessão que fizemos, com participação especial do marido.
Foi ótimo e saí revigorada, encomendei a medicação e passei a usá-las regularmente. 
Não posso afirmar com todas as letras que ela (a medicação homeopática) seja milagrosa porque sou muuuito cética a respeito destas coisas.
Inclusive tentamos um tempo depois uma sessão de hipnose que foi ótima, sim, pedi que ela acessasse minha mente em estado alfa e me desse sugestões de cura. Foi proveitoso, mas disso falo mais depois.

O fato é que infelizmente minha vida entrou num turbilhão de coisas, estresse no trabalho que passou do nível agitado demais para o insano, a faculdade que resolveu apertar nossa garganta e uma viagem de família que não pude adiar, então minhas sessões com a fisio precisaram parar, os exercícios foram deixados para depois, minha cura parou de ter os avanços que eu já estava alcançando e aqui estou eu, ainda vagínica.

Posso garantir a vocês que o tratamento com uma fisio de confiança vale MUITO à pena. É ela que vai te dar dicas de como ensinar seu corpo a controlar esses travamentos e te passar confiança para enfrentar as fases não tão coloridas da vida de quem está enfrentando uma dificuldade deste tipo.
A terapia também é ótima aliada e, vale lembrar que procurei também uma Ginecologista (outro anjo que surgiu em minha vida) que também me avaliou e solicitou exames adequados para constatar minha saúde.

Pretendo voltar sim ao tratamento (à minha prótese que a doutora me aconselhou comprar) e sempre que posso faço os exercícios em casa, mas agora estou enfrentando um outro problema que está afetando diretamente minha cura: meu marido, que de uns tempos pra cá tem se mostrado desanimado com nossa vida sexual e se satisfaz tanto com o pouco que temos que tem me deixado preocupada. Mas isso é assunto para outro post.

Caso tenha ficado alguma dúvida sobre como funciona a fisio 
perguntem nos comentários e ficarei feliz em responder. 

Até a próxima!

domingo, 18 de agosto de 2013

Perdão, Hipnose e Paciência


Preciso começar pedindo perdão por essa sumida básica do Blog.
Honestamente não sou muito disciplinada (e sei que deveria ser porque isso ajudaria bastante minha vida, em todos os sentidos), então entre faculdade apertando com matérias novas, viagens em família para interior e trabalho exigindo cada gota de energia que poderia existir em mim, fiquei esgotada e abandonei esse meu pequeno diário. Perdão.
Confesso que talvez não me animasse a voltar a escrever se não percebesse pelos comentários que outras pessoas se interessaram por minha história e então confirmei essa sensação que sempre tive da importância do apoio, por menor que seja.
Obrigada, meus amores!

Não sei se disse a vocês que minha terapeuta havia me sugerido algumas sessões de Hipnose para entender o que houve comigo, para vencer essa barreira e me sugestionar com frases novas, de recuperação, força e etc. Resolvi tentar, até porque depois da consulta com minha gineco descobri que meu hímen não foi rompido, então ou o safado do vizinho que me abusou na infância não chegou a inserir o pênis ou só fez algo com o dedo e não rompeu a membrana.
Minha terapeuta queria regressar até essa fase pra descobrir o que realmente havia acontecido. 
Mas gente, preciso ser honesta com vocês em alguns pontos:
1. Nunca fui de acreditar muito nessas coisas, até acho que alguém possa me sugerir algo num estado calmo de minha mente e tal, mas me fazer reviver toda a situação como se fosse hoje... Sei lá, tive medo de que meu ceticismo me bloqueasse e a sessão desse em nada;
2. Money. Não é nada barato deitar num sofá confortável e deixar que alguém te leve a um estado de hipnose, mesmo. Claro que pra mim é caro porque não sou rica, se fosse talvez não achasse isso tudo (ou talvez sim, porque a maioria dos ricos que conheço são mais econômicos que eu hehe).

Então, resolvi que, já que ia gastar, pediria a ela que ao invés de regressão, me levasse a um estado alfa (estado de consciência de profundo relaxamento, em que a mente torna-se aberta) e tentasse me sugestionar com mensagens positivas e que me ajudassem a enfrentar o vaginismo de frente. Ela me atendeu.
E aí, claro, veio outro problema básico: sou inquieta.
Imagino que vocês pensem: "poxa, essa garota também, hein?!"
Mas é, não sou do tipo que consegue ficar quarenta minutos quietinha que nem tábua de passar, então depois de uns trinta minutos de sessão comecei a ficar angustiada e ela precisou ir finalizando aos poucos.

Foi legal? Claro! Ela me fez visualizar minha cura e isso meu deu uma sensação boa, de paz, trouxe amor ao meu coração, mas já tinha deixado claro que a hipnose não era nenhum milagre, apenas mais um canal de tratamento e realmente, não foi. Como não posso bancar mais sessões e muito menos aderir ao pacote, decidi estudar, por minha conta, uma outra ferramenta que se mostrou bastante útil: a auto hipnose.
Mas disse falo em outra postagem porque esse aqui já ficou longo demais.

Ah, estou montando uma coisa pra vocês que acredito que vão gostar. É algo do tipo deliciosa ajuda.

Beijinho

sábado, 18 de maio de 2013

Orações, Preces... Fé!


 Minha terapeuta holística, com quem faço tratamento associado à fisioterapia uroginecólogica, me explicou na primeira sessão que, a maioria das mulheres com vaginismo liga a região íntima à dor, muitas vezes por abuso, violência ou até mesmo porque em suas mentes criaram o "monstro sexo", idéia diversas vezes embasada pela religiosidade, influência familiar negativa e etc.
Um dos caminhos para a cura é desassociar esta imagem e criar uma nova: a de que esta região é fonte de prazer, um prazer incrível e ainda não conhecido de verdade.
E é nessa luta que estou, ensinando minha mente que, o que aconteceu ficou no passado e hoje sou outra mulher, que quer ser completa e sentir prazer através do sexo.
Ela, a terapeuta, explicou que muitas mulheres usam a religiosidade para pedir "a Deus" uma cura. Já vi um relato de uma menina evangélica que disse ter pedido
esse milagre e alcançado.
Eu não duvido, só que penso nas pessoas que foram reprimidas pela religião ano após ano e em como é difícil continuar acreditando nela como fonte de cura.

Então eu entendi...
Não é a religião, é a fé. Não é Deus, é o condicionamento mental da esperança, que traz a confiança necessária pra vencer o problema.
Quantas vezes ouvimos por aí que "fulano curou de um câncer através da fé"?
Foi a fé dele que encheu seu corpo e espírito de uma energia positiva tão forte a ponto de ajudar o próprio organismo a combater a doença de forma mais intensa. Isso é real!
A mesma coisa acontece com os Doutores da Alegria, que visitam hospitais infantis e alegram a vida de crianças doentes, dando conforto e forças pra lutar.

Nós precisamos de força pra lutar também!
Passei dias pensando nisso e só hoje entendi que essa energia boa pode sim, me ajudar a enfrentar minha dificuldade. Não é questão de milagre, é de perseverança!
É o interesse no tema, é conviver no universo da sexualidade, é me deixar envolver pelo assunto a ponto de desmistificar o ato em si
e percebê-lo como normal do ser humano que sou.
Fácil não é, mas se tenho certeza que vai valer a pena, porque não tentar?
Não trabalhamos pra comprar coisas que queremos? Pagar contas de prazeres materiais que nos permitirmos?
Por que não focar energia em algo que vai mudar minha vida?

Nem contei ainda que fui a uma Sex shop, comprei minha prótese (que a fisio pediu), igualzinha a um pênis de verdade, molinha e de um tamanho um pouco menor que o pênis do marido. Veio com um vibradorzinho que é acoplado à prótese e traz uma sensação deliciosa. Comprei também dadinhos eróticos e, gente, adorei o lugar, me senti à vontade! Eu tinha pavor de passar perto de uma Sex shop e algum conhecido me ver, olha como somos bobas. Sexo é natural, bom e todo mundo faz,
do contrário nem estaríamos aqui.
Pretendo voltar lá pra comprar uns jogos que me amarrei, bingos eróticos e tal. Acho que tudo é válido pra chegar à cura, pra me sentir a mulher vitoriosa que sempre quis ser e nunca fui tão ousada pra tentar.




Cinquenta tons de excitação


Eu me rendo!
Apesar do meu completo preconceito contra o livro que caiu no gosto da mulherada,
minha terapeuta - pasmem - me sugeriu ler Cinquenta Tons de Cinza.
Ela explicou que, além do teor pornográfico, a relação entre Anastasia e Grey é absurdamente envolvente e serve como inspiração para casais que não
encontram tanta sensualidade no dia a dia.
Não sei como é com vocês, mas aqui em casa, devido a anos e anos sem sexo e nos divertindo apenas com brincadeiras e masturbações,
a sexualidade nunca foi um assunto muito importante.
Erradíssimo, eu sei! Mas o que fazer se todas as nossas tentativas
terminavam em frustração?
Dá desânimo mesmo e é contra essa maré que a terapeuta quer que nademos.
Sexo é bom, gostoso e precisa ser estimulado.
Vocês já viram aqueles casais de novelas (vide Raí e Babalu, em 4 por 4 ou o recente Helô e Stênio, de Salve Jorge) que passam horas no quarto transando sem parar tomados por tesão? Não que aquilo seja o comum, mas tem que, pelo menos, servir como inspiração pra nós: sexo é parte da relação homem-mulher desde sempre e o vaginismo não pode ditar regras sobre nossos relacionamentos.

Então, é isso, estou lendo - e me derretendo com - Cinquenta Tons de Cinza.
O que tem mudado em mim? Percebo que o sexo, a sexualidade, a sensualidade e assuntos relacionados passaram a ser normais pra mim e começo a me sentir parte de um clube que, até então, eu tinha medo até de chegar perto.

Começo a me sentir mulher e isso é delicioso!
Chega de ser a garota meiguinha, ingênua e doce virgem que pode montar um unicórnio de tanta pureza no coração, quero ser feminina, me tocar, ser tocada e entender porque as pessoas gostam tanto desse prazer!

O livro é ótimo, não fica focado apenas no tema,
mas vai além e envolve do começo ao fim.
Fica a dica, vamos apimentar nossas vidas e vencer mais essa barreira!

Um achado e tanto!


Pre-ci-so compartilhar o que encontrei!

Todas nós que estamos sofrendo esse drama (passageiro) sabemos o que sentimos em relação à primeira vez, certo? Vai machucar, rasgar tudo,
por isso dizem por aí que sangra, dói...
Estava eu aqui na minha peregrinação de fazer os exercícios da fisio (a terapeuta disse que não podem ser vistos como exercícios porque essa palavra remete à obrigação, mas ainda não encontrei uma palavra melhor pra definir, então fica assim por enquanto) quando consegui inserir metade do dedo indicador e senti dor, mas deixei o danado lá enquanto pude e até minha vagina expulsá-lo com ares de indignação pela invasão. Sim, só consegui metade e me sinto uma fraca quando leio relatos de meninas que colocam doooois dedos nas primeiras sessões de terapia, mas, ai de mim, sou medrosa e ainda (eu disse ainda) não consegui ter essa coragem, mas eu chego lá.
Então, voltando ao assunto, fiquei curiosa sobre essa coisa da dor, lembrei dos relatos sobre não estar relaxada e voltou à minha mente a lembrança de que a dor e o sangue existem porque o hímen não foi rompido. Pois bem, sem querer estava em minhas pesquisas sobre primeira vez e encontrei O SITE
Lá descobri que o rompimento do hímen não tem nada a ver com o tal sangramento e nem com a dor e que uma mulher preparada pode nem sentir nada. 
Sei que uma vagínica sofre em dobro porque a maior preocupação dela é justamente com a dor e acredito que ler e entender estes textos pode ajudar bastante o trabalho da minha fisio, que anda ralando um bocado comigo. Relacionados a este texto tem outros dois mega interessantes, um sobre vaginismo e outro sobre MAP, vou linkar todos aqui e acho válido que leiam devagar, pra que possamos conhecer ainda mais nosso corpo e livrá-lo dessa barreira.

Lá vão os links:




Vamos lá, meninas, colocar esse ladrão de prazer pra correr de nossas vidas!


quarta-feira, 1 de maio de 2013

A mente da vagínica e seu medo da dor



E eu me pego imaginando como devia ser a vida de mulheres com vaginismo
antes da internet... 
Afinal, antes de perceber que havia algo diferente em mim e ir pesquisar, eu jamais tinha ouvido falar no problema e imagino que algumas mulheres próximas a mim
tenham sofrido esse drama em silêncio.

Então, graças a Deus pela internet, pela informação!

Acho válido explicar o que se passa na cabeça de uma vagínica pra que pessoas que estão tentando ajudar possam entender melhor a bagunça
que se passa em nossas mentes.
Vou começar lembrando a imagem comum do sexo: um pênis penetrando uma vagina, lubrificados, desejosos, tomados pelo tesão do momento. Normal, né? Hoje em dia com tanta exploração de imagens sexuais isso já não é tão difícil imaginar, não como antigamente onde os meninos ficavam hoooras esperando vídeos pornográficos abrir em internets discadas e barulhentas.
Pois bem, na cabeça de uma mulher com vaginismo essa imagem não é tão divertida assim. Sabe por que? Porque pra nós essa imagem significa uma das maiores expressões de... DOR.
Sim, dor. Parece ridículo, eu sei, mas ah se todos os traumas fossem simples...
Depois que comecei minhas sessões de autoexploração, como minha fisio me ensinou a fazer, conheci o meu querido hímen, aquela pelezinha delicadinha que fica na entrada da vagina sei lá pra quê e notei a diferença entre ele
e a ausência dele em imagens de vaginas internet a fora.
"Por que meu buraquinho é tão pequenininho
e o dela parece um buraco negro pronto a engolir um braço?
"
Risos. Do marido, da médica e meus no fim. De nervoso, claro.

Estão entendendo o drama?
Pra nós, não cabe um pênis ali, não cabe um dedo ali, não cabe nada ali.
Quando o cara se aproxima e tenta penetrar, a mente fala que vai doer, o corpo todo se protege, trava e qualquer tentativa vai ser realmente dolorosa, não tem santo que faça a gente relaxar, o corpo se preparou para um combate de defesa e insistir na força é piorar tudo. Por que? Porque de alguma forma, alguma coisa nos machucou e nos deu a sensação de que aquela região traz dor. Desligar essa imagem de dor é trabalho conjunto que estou fazendo através de minha fisio, minha terapeuta e minha gineco. Vamo que vamo!

domingo, 28 de abril de 2013

Sobre o Tempo



 Porque esta questão do tempo é tão delicada para nós.
De um lado está o tempo que nos pede paciência, se mostra senhor de tudo
e traz a sensação de que logo tudo estará bem.
De outro aquele que nos deixa agitadas por uma demora que a cada dia
fica mais difícil tolerar.
 Saber lidar com este senhor é importante, saber aceitá-lo e trazê-lo para o nosso lado para que, lá na frente, possamos brindar uma vitória com a certeza de que ela veio, mesmo que tardiamente, ela veio!

"Quase tudo é temporal
Temporal porque está sujeito
Ao sujeito chamado Tempo
Que é mais que momento

Que não se confessa
Pois não sente culpa de nada
Não vê minha pressa
Em displicente caminhada

Segue a pé passeando. 
Deve ser por isso que demora
Parece que tá brincando
Pensando que não tem hora

O tempo que vivo aqui
O tempo de agora
O tempo que está por vir
Que venha sem demora"

Meu Relicário


Não seria justo continuar as postagens deste blog sem uma pausa para agradecer uma pessoa que tem feito parte de todo este processo de forma tão doce e forte ao mesmo tempo, que tem sido meus pés no chão e meus sonhos nas nuvens: meu esposo.
Lendo depoimentos de outras flores por aí, percebo que as reações de um homem que ama uma mulher, ao descobrir que ela sofre de vaginismo, podem ser das mais variáveis possíveis. Alguns ficam confusos e acabam magoando, fugindo, outros são fortes e dão as maiores de todas as provas de amor:
compreensão, fortaleza e incentivo.
E, graças aos céus, meu amor está neste último grupo.

Não sei como seria minha vida caso não estivesse...
Sei que em parte a pouca experiência dele em relação a sexualidade nos protegeu em diversos momentos do nosso namoro, sei que caso ele tivesse uma vida sexual mais intensa antes de mim provavelmente nosso relacionamento não teria sido como foi, como é. Mas Deus, ou seja lá qual o nome você goste de dar para aquilo que te move, parece ter guardado este homem para mim, do jeitinho que ele é, com aqueles defeitos que me enlouquecem às vezes e com as qualidades que tantas vezes me fizeram dormir com um sorriso nos lábios.
Nossa abertura para falar de tudo, a mansidão dele diante de momentos complicados, nossa sintonia ao perceber o que o outro está pensando ou sentindo sem precisar dizer nada... detalhes pequenos mas que fazem de nós, hoje, guerreiros em busca de uma vitória a dois, que mudará nossa vida para sempre
e que já nos aproximou de forma única.

Então, meu amor, sei que você está lendo este blog e querendo realmente participar deste processo, te agradeço, por cada abraço, por sua paciência, por suas palavras de perseverança, seu carinho, seu acolhimento...
Eu não sei se conseguiria tirar de dentro de mim toda essa força pra lutar contra este trauma sozinha, e ter você ao meu lado é mais que fundamental, é uma das maiores provas de que Deus existe sim e de que Ele é simplesmente Amor.
Eu te amo muito e espero, do fundo do meu coração que nossa luta traga resultados maravilhosos e que sua postura sirva de exemplo para tantos outros homens por aí, que acabam se perdendo ao tentar ajudar suas florzinhas a vencerem essa batalha.


Vagi-o-quê?



Como começar um blog onde pretendo externalizar uma dor que hoje finalmente entendo passageira, sem deixar de lado detalhes importantes, lágrimas importantes, esperanças importantes, momentos tão complexos?

Vamos pelo começo de tudo, pela raiz de um problema não tão matemático,
mas tão confuso quanto a própria.
Começo explicando que me dei um novo apelido para me sentir mais a vontade, entendi que o ficar mais a vontade é um dos passos fundamentais nessa luta. 
Thai Soma é uma brincadeira com meu nome real, mas, como diria Shakespeare em seu grande clássico de amor: "O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem."
Então comigo tudo começou, como com tantas outras mulheres, na infância, com um vizinho maldoso, com insinuações, toques e abusos. Com a distração de pais ingênuos criados no interior que achavam natural a filhinha ter amigos de várias idades e que talvez só tenham passado a ter mais cuidado com essas amizades no dia que notaram algo diferente nesta em especial, algo tão pequeno perdido num mar de coisas maiores que eles jamais perceberam, mas que foi suficiente para protegê-la, infelizmente, tarde demais.
Vamos complicar mais essa história ao dizer que esses pais, profundamente católicos e criados em lares onde sexo era um tabu mais hediondo que o próprio diabo, jamais deram a essa filha espaço para contar o que aconteceu, que a ameaçavam sempre que ela tentava tocar no assunto da sexualidade e talvez achassem que assim, a fariam esquecer o que passou e... ser normal.
Crescendo essa menina, convivendo cada vez mais com o silêncio imposto pela educação rigorosa, a timidez e ingenuidade passaram a ser suas bases de ser, culpando-se e castigando-se por qualquer desejo que seu corpo demonstrasse e fechando-se num casulo que ela jamais imaginaria ser tão difícil romper.
Essa sou eu.

Alguns anos mais tarde, o primeiro namorado sério, também muito católico, também virgem e também tímido. Achamos que o certo seria realmente manter a castidade e lutamos por ela até o dia em que os hormônios passaram a ferver nos corpos jovens e o instinto natural tão evitado passou a falar mais alto. O peso da religião já tinha se afastado, já entendíamos que o desejo era algo natural com o amor que sentíamos e decidimos não nos frear tanto. Como as possibilidades de ficarmos sozinhos eram raras, quando a primeira finalmente chegou, muito tempo depois éramos pura ansiedade. Não rolou, claro. Mas nesse instante o sentimento era de medo, da sensação de estarmos fazendo algo errado e para esse lado foi a culpa da não realização. 
Somente muitas tentativas depois, com mais liberdade e desejo no ápice finalmente entendemos que alguma coisa estava errada. Contei do meu passado, ele me acolheu e disse que tivéssemos paciência. Tivemos, mas a danada foi acabando.
Muitos anos depois do começo dessa história e com a ajuda da preciosa ferramenta de salvação chamada internet, finalmente descobri o que poderia estar acontecendo comigo. Tudo começou a fazer sentido, muitas lágrimas passaram a cair numa mistura de alívio por entender e medo por não compreender totalmente.

Então hoje, aos 31, casada e com a possibilidade de me tratar, dei meu primeiro passo de mostrar o que se passa em mim, para que, dando um nome à esse problema, eu o perceba do tamanho que ele realmente é e possa, enfim, derrotá-lo.
Aí quem sabe esse meu desabafo ajude outras flores por aí, que ainda guardam seu perfume e não conseguiram abrir suas pétalas para a chuva da vida, aquela que lava a alma e faz a palavra mulher finalmente fazer sentido.